Quando abracei a intenção literária de agora, parece que minha mente virou um liquidificador de ideias. Sim, eu já havia feito escolha do modo como iniciar. Mas a mudança se deu repentinamente, no primeiro dígito de letra necessária para formar a primeira palavra deste texto, uma conjunção de tempo. Vale dizer que idéia acentral também foi abandonada. Optei por falar de dias transcorridos nesse tempo que não para, como disse Cazuza.
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Era tarde de domingo. Para amenizar aquela melancolia dirigiu-se ao shopping mais perto. Planejara comprar uma camisa ou calça, ou ambos. (falta precisão na informação dada pela lembrança). Sabe-se que experimentou diversas calças e algumas camisas, ou apenas um dos conjuntos das peças mencionadas, sendo que nada lhe agradou. De certo, frente ao espelho, a mudança necessária não era o que vestia a embalagem que é o corpo, senão a alma que pesadamente carregava.
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Deixou a loja de mãos vazias. Mas na saída do shopping deparou-se com forte chuva, não obstante a tempestade em si. Recuou e voltou àquela grande loja. Fazia tempo tencionava comprar um perfume importado. E ali onde estava era boa opção, posto que poderia parcelar em várias vezes, como de fato o fez. Foi embora satisfeito pela compra. E bastante surpreso com sua comunicação com vendedora e o caixa daquela grande rede de lojas
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Os dias se passaram. Voltou e comprou um jeans que fosse. Não adquiriu nada além da calça depois disto. Até que em agosto deste ano deparou-se com a edição do mesmo mês da Revista Idec, publicada pelo Instituto de Defesa do Consumidor. Tratava-se de uma matéria-denúncia contra a loja em que sempre comprou, o mesmo local do jeans e do perfume, além de tantas outras compras. Ocorre que a Revista Idec denunciava as Lojas Renner por ela não ter assinado um protocolo de não exploração de mão de obra estrangeira. Tal protocolo visava, sobretudo, proteger os bolivianos contra exploração análoga à escravidão por parte de grandes tecelagens no Brasil. A revista informava também a C&A e a Riachuello também se negaram a assinar o protocolo.
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O seu cartão das Lojas Renner estava alavancado, o que significa dizer em linguagem popular que estava “estourado”. Por conta disto, já não o utilizava mais. Diante de tal informação dada pela Revista Idec, sentiu-se no dever de confirmar o lamentável. O departamento jurídico da Renner tangenciou como é de costume, para depois confirmar que não assinou o protocolo, uma vez que "já o pratica". Diante da contradição da Renner, resolveu que faria o mesmo. Não compraria mais nesta rede de lojas, embora gostasse dela. Ou seja, a Renner concorda mas não assina. E o cliente gosta da loja, mas nela não compra.
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Recorda de sua infância. As brincadeiras com sua irmã mais nova, que mesmo cheia de certeza negava a aposta. Parece o mesmo caso aqui. E é possível que qualquer indivíduo mais desconfiado se indague por as Lojas Renner, C&A e Riachuello se negaram a assinar o protocolo. No caso da Renner, com a afirmação de que já cumpri o que diz o protocolo, não assina embora concorde. Não é preciso dizer mais nada. O título deste texto o finaliza com ironia necessária.
ps: falar de dias diferentes ficou de lado.



